SÉRIE D - O IMPORTANTE FORAM AS EMOÇÕES

Se chorei ou se sorri o importante é que emoções eu vivi
(Roberto Carlos)

O Mixto fez uma brilhante atuação na Série D e foi eliminado. Foi desclassificado sim, mas e daí? Contra o Náuas, Vilhena, Vila Aurora, milhares de corações arquejaram, ofegantes, na busca do ar esvaído das emoções. Nas veias, o sangue suado, empuxado por lances maravilhosos, por gols de pura beleza e raça, pelos erros de arbitragem ou jogadas perdidas.

Uhhhhhhh !!!!!!

O Mixto fez isso a muita gente, dezenas e dezenas de milhares de brados, de evocações, em alto tom, em manifestações de apoio ou de zanga fugidia, dessas quando uma jogada pára na marcação ferrenha dos adversários, quando se perde algum lance.

Como comparar ou descrever a emoção estonteante de um, dois, três, quatro gols? Como medir a alegria explosiva estampada nos dentes de bocas escancaradas ou nos sorrisos largos de nítido e íntegro arroubo de felicidade? Só um time com tantos fiéis torcedores, brancos ou negros, com milhares de apaixonados, ou com inúmeros e febris arrebatados pode se dar ao direito de extasiar e alegrar, acobertado de glória, ou fazer chorar, embotando uma nação inteira de lágrimas.

O Brasil perdeu em 50, num Maracanã lotado; em 82, a seleção de Telê encantou o Mundo, mas caiu no Estádio Sarriá, diante dos pés de Rossi; o Flamengo, Vasco, Inter, São Paulo, Corinthians, Grêmio e tantos além perderam competições ou deixaram em agonia e delírio milhões de torcedores... Ganhar ou perder são situações e sintomas que só grandes clubes provocam ...

Na batalha do Dutra, neste domingo 12, foi-se o placar, ficaram 90 minutos de genuíno júbilo. Permanecem, ainda, insistentes, 90 minutos de gostosa e extravagante ansiedade e festejo ou delirante tormento. É, o Mixto é um gigante! É grande pela dualidade, pois é um clube que sabe fazer lágrimas de exultação do mesmo modo que gera lamento, em proporções semelhantes, em admirável equilíbrio. Ah, Mixto! Isso é coisa de clube que tem raça, que tem história e tradição tão misturadas que transcendem vitórias ou derrotas. E as derrotas são ocasiões que contemplam apenas os que lutam e os que acreditam.

Enfim, nas bolas nas traves, nos cabeceios que feriram de esperança as cidadelas, nos chutes que foram barrados pelos guardiões, ou nas disputas duras, contusões... Em cada cenário ficaram a marca do alvinegro, firme, magnífico, formoso, altivo, forjado na raça, na força nutrida pelo suor da camisa. Não importa! A vida segue seu curso e futuras competições estão aí para se conquistar. Hoje o Mixto pode estar até em frangalhos, mas sua força de Tigre está intacta. Mutos títulos virão... Viva, salve as vitórias! Que as derrotas nos ensinem. Como diria Roberto Carlos, na batalha do Dutrinha, se a torcida mixtense chorou ou sorriu, acho que o importante é que emoções ela viveu. E viveu demais mesmo!!.

Fonte: Jorge Maciel/Futebol Press - Foto: Joice Silva/TBS